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Blog consacré à la langue portugaise et culture lusophone. "Minha pátria é a língua portuguesa" Fernando Pessoa Lusophilement vôtre

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Natal: alguns poemas de autores lusófonos

cloche-noelNATAL, de Fernando Pessoa                                                 

O sino da minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto

Quando passo, sempre errante,

És para mim como um sonho.

Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto a saudade mais perto.

 

cheminee-noel.jpg

NATAL DIVINO, de Miguel Torga

Natal divino ao rés-do-chão humano,

Sem um anjo a cantar a cada ouvido.

Encolhido

À lareira,

Ao que pergunto

Respondo

Com as achas que vou pondo

Na fogueira.

O mito apenas velado

Como um cadáver

Familiar…

E neve, neve, a caiar

De triste melancolia

Os caminhos onde um dia

Vi os Magos galopar…

 

creche-de-noel.jpg

O FILHO DO HOMEM, de Vinícius de Moraes

O mundo parou

A estrela morreu

No fundo da treva

O infante nasceu.

Nasceu num estábulo

Pequeno e singelo

Com boi e charrua

Com foice e martelo

Ao lado do infante

O homem e a mulher

Uma tal Maria

Um José qualquer.

A noite o fez negro

Fogo o avermelhou

A aurora nascente

Todo o amarelou

O dia o fez branco

Branco como a luz

À falta de um nome

Chamou-se Jesus.

Jesus pequenino

Filho natural

Ergue-te, menino

É triste o Natal.

fonte: cap magellan

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